Saturday, August 30, 2008

Medo e alivio.

Abro a porta e lá está ela, a rainha da noite.
Afinal mais um dia tinha passado. - Um passo em frente, basta um passo em frente - Saio finalmente de casa e percorro o caminho que a lua me oferece com esperança, uma vez mais, de que me leve a ti.
O silêncio é cada vez mais absoluto, nada se ouve.
Está escuro... - As nuvens carregadas de incertezas acabam de me tapar o único caminho que me leva a ti. - E agora, o que é que eu faço ? Preciso cada vez mais de ti, não é justo que te tirem de mim sem que me dêm a possibilidade de contra atacar, Não é.

O silêncio é interrompido, é a tua voz, e está cada vez mais perto.
És tu a dar-me coragem e determinação para continuar a viajar neste percurso desconhecido.
Uma vez mais salvaste-me da solidão.
Sai pela porta principal da vivenda.
Embora Verão, o vento frio canalizado entre uns edificios altos ali da frente parecia ainda mais agreste depois de sair da habitação abafada pelas paredes isolantes, e baixei a cabeça. - Como se isso me protegesse! (pensei) - Tinhamos o carro estacionado numa rua lateral ali ao pé, mas quando lá cheguei não fiz qualquer movimento para o pôr em marcha. A pressa passou-me, e em vez disso deixei-me ficar sentada a olhar para o escuro da noite através da janela direita.
Ele moveu-se, e a pressa de voltar para ti voltou, e com ainda mais força.
A escuridão da noite engoliu-me estendendo-se à minha volta, sem limites. Não era vazia, era uma escuridão pesada e ameaçadora, aguçada com pontas partidas que faziam pressão sobre mim. Totalmente silênciosa, mas ao mesmo tempo continha a ameaça de um terrível barulho que a qualquer instante poderia absorver-me.
Queria-me mexer, quero-me mexer, pôr-me de gatas ou simplesmente arrastar-me, queria-me erguer e correr daquele buraco negro para o mundo que conhecia. Mas não havia qualquer possibilidade de movimento, qualquer esperança de escapar. O silêncio era absoluto, reinava naquele reino escuro e sem vida. Apenas havia o meu 'Eu', ali, encurralado na sua maior fraqueza - A ausência.
Ninguém me vinha buscar, pois mais ninguém parecia existir.
E então o barulho começou. Um rimbombar surdo, distante, por baixo de mim, por cima de mim, em todo o lado, terrível, implacável, final, e estava a aproximar-se.

Acordei com um grito preso na garganta. O mesmo sonho.
A viagem tinha acabado, cheguei.
E o meu pensamento encheu-se de espirito. Estavas ali, bem mais perto. - Ou pelo menos era o que sentia. - O medo desapareceu, o medo que durante este mês teve vitórias consecutivas, o medo que tinha ganho os jogos olímpicos, tinha desaparecido.
Eras tu mais perto que eu precisara, eras tu que este tempo todo tinhas feito falta...
Eras tu que ausente não me protegias destes sonhos solitários.
Mas nada mais importa, estás aqui, e vieste para ficar, sinto que sim...
Abanei a cabeça - Nao. Sao so sonhos.
Abri os olhos e tu inclinaste-te para me beijar - Pareces tão real - Afastaste-me o cabelo para o lado com os dedos e viraste a minha cara na tua direcção para que as nossas bocas se encontrassem. - Quero-te de volta. Preciso de ti Sofia, Amo-te.

Amor, necessisade, as obrigações para com o mundo.

Assenti com a cabeça, incapaz de te dizer fosse o que fosse.
Foste-te embora outra vez, e logo depois deixei-me ficar sentada em silêncio, a olhar para o mar e para as flores do jardim da vivenda ao lado. Eram tão vividas, que podia sentir as pétalas cheias de vida só de as ver, e a fragância verde, rica em polén que emanava das respectivas flores e se sobrepunha ao cheiro desagradável da tua ausência.
Desviei o olhar, voltando as costas para as flores vizinhas e para a indesejável analogia oceânica que me faziam lembrar de ti.

Sunday, August 10, 2008

Caminhos trocados num mundo cinzento e desnivelado.


Trocaram-se palavras. Partilharam-se sorrisos. Trocaram-se instantes e partilharam-se momentos. Estendeste-me a mão e encaminhaste-me para o desconhecido. Os cinco sentidos ao rubro, em função do aqui e do agora. Em função de mim e de ti, como se nada mais existisse neste mundo cinzento e desnivelado.

Encaminhaste-me para um mundo com caminhos trocados, cujas decisões me podem levar para longe, bem longe de ti.
Passos à frente, passos atrás. Decisões acertadas?, no momento certo? Não, é melhor voltar para trás, e uma vez mais conferir.

É isto que me fazes, fazes-me ter medo das decisões que possa tomar, fazes-me ter medo de te perder. És um bem escasso, não é qualquer uma que te encontra. Por isso tenho cuidado, cuidado nestes caminhos trocados num mundo cinzento e desnivelado.

Mas a tua mão prende a minha. Sim, é isso que também me deixa seguir com a vida.

Amo-te, volta depressa.

Bom tempo, boas lembranças.

Sabes, nunca imaginei no início o quanto importante irias ser para mim. Asserio, até porque foi tudo de repente… Em tão pouco tempo foste promovido (e bem promovido se me deixas dizer) de um mero conhecido nas mesas de jogo a um amigo muito especial. Até agora choramos, rimos, cantamos e ate nos enojamos. Sem vergonha, sem medo e contra todos (tu percebes) admitimos o quanto importantes éramos um para o outro. Não sei como, acabaste por te tornar numa daquelas pessoas que mais admiro a face da Terra!, naquela pessoa que sempre esteve e com certeza me estará disposta a ajudar nos piores e melhores momentos.
Quando mais precisei de uma palavra amiga lá estavas tu, para me fazer arriscar uma vez mais (‘Arrisca mais uma vez, Nem que seja só por arriscar, Nunca se tem muito a perder.’ *.*) e ser feliz. Falhei, sim admito. E por todas essas vezes que falhei deste-me segurança. Segurança pela tua presença, pela vontade que tinhas de me ver feliz.
Mas esta nossa ‘história’ não teve só altos, não foi só paraíso e aqui estamos nós dois para o poder comprovar…
O mau tempo chegou, a chuva e as tempestades na nossa amizade começaram a aparecer, mais, mais e cada vez mais. Tudo o que antes tinha sido tapado pelo sol acabou por aparecer, problemas, esquecimentos, cortes nas confianças. Aqueles nossos sorrisos outrora triunfantes voaram, de tão pequeninos que eram. Quando desapareceram o mundo parecia que se tinha virado contra mim, era de ti que eu precisava, dos nossos risos, das nossas conversas. Mas onde estavas tu? Bem longe, suponho.
O verão chegou, e com ele o bom tempo também.
Obrigada por voltares António, és e sempre serás o Clyde
Adoro-te